sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Axé

Dentro desta tradição, a existência dinâmica se deve à manifestação de uma força que se denomina Axé. Sem Axé não haveria possibilidade de existência e realização, pois dele decorre todo o processo vital, como essência e forma. Tanto as divindades como toda entidade animada estão impregnadas de Axé.

Como força vital, Axé é plantado, cultivado, renovado e compartilhado. Como toda energia no Universo manifestado, Axé é gasto e renovado. Receber Axé significa incorporar as representações matérias e simbólicas que representam os princípios vitais de tudo que tem existência no aiyê como reflexo do orun.

Axé , como força, é neutro, mas detém qualidades e caraterísticas dos elementos que contém e veicula. Axé é a energia contida numa grande variedade de substâncias representativas dos reinos animal, vegetal e mineral, que se propõe movimentar.

Os elementos portadores de axé podem ser agrupados em três categorias, chamadas “sangues” – porque o sangue é o veículo energético por excelência:

Sangue vermelho
Sangue branco
Sangue negro

Todas as cores encontradas na natureza vinculam-se, em última instância, a uma das cores primordiais vermelha ( amarelo, laranja) ou negra (verde, azul, lilás, cinzento). O amarelo é, portanto, uma variedade do vermelho, como o azul e o verde são variações do negro.

O sangue vermelho compreende:
No reino animal – todo tipo de sangue, humano e animal
No reino vegetal – azeite de dendê, ossun (serragem de uma árvore), mel
No reino mineral – cobre, bronze, ouro

O sangue branco compreende:
No reino animal – o plasma do igbin (caracol), o sêmen, a saliva, o hálito, as secreções, o marfim, os ossos
No reino vegetal – a água, o álcool contido nas bebidas brancas, a manteiga de ori (gordura vegetal), o inhame
No reino mineral   - efun (tipo de calcário), sal, prata, chumbo,  conchas

O sangue negro compreende:
No reino animal – as cinzas dos animais
No reino vegetal – a terra, sementes, o sumo das folhas , o waji (pó vegetal)
No reino mineral – o carvão, o ferro, as pedras

Alguns lugares, objetos ou partes do corpo humano podem ser impregnados de axé:  a língua, o coração, as vísceras, os órgãos genitais, os dentes e ossos, assim como também as raízes, árvores, sementes, as pedras e cristais, os rios, o mar, as florestas e o fogo.

A prática da religião yorubá consiste em atuação através da manipulação dos axé branco, vermelho e negro.

Como dogma, baseia-se na fé numa Divindade Absoluta – Olodumare, na crença na existência e na sobrevivência da alma como sopro divino – emi, nas conseqüências das ações humanas – ewo, e na Lei moral ditada pela consciência de cada um, que permeia a vidacotidiana – ifa aya.


Eliane Haas- pianista, Mestre em Música, Professora universitária. 
Como iniciada, recebeu o nome de Oyagbemi e ocupa o cargo de Iya Egbe no Ilê Egbe Efunlase ati Ifá.
É fundadora e comandante do Céu da Águia Dourada. www.aguiadourada.com
Postado em http://redeafrobrasileira.com.br/forum/topics/a-cosmogonia-yoruba-a

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