domingo, 25 de dezembro de 2011

Um Estado laico com bancada evangélica

As bancadas conservadoras no Congresso Nacional nunca foram tão grandes em número e em influência quanto atualmente. A Bancada Ruralista, por exemplo, conseguiu aprovar no Senado, neste dia 6 de dezembro, o novo Código Florestal, acusado por ambientalistas de dar brechas e até mesmo incentivar o desmatamento de vegetação nativa, em prol do agronegócio (Entenda o que muda com o novo Código Florestal clicando AQUI e AQUI). Foram 59 votos a favor e 7 contra e, a partir de agora, o texto volta para a Câmara, para a apreciação das alterações feitas pelos senadores, para depois ser encaminhado para a sanção da presidenta Dilma.
Porém a bancada que mais tem conseguido projeção neste mandato talvez seja a Bancada Evangélica. Segundo dados da própria Frente Parlamentar Evangélica, nas eleições de 2010, a bancada cresceu de 46 deputados (9% do total da Casa) para 68 deputados (13,2% do total), um crescimento de mais de 50%, se comparado ao tamanho da bancada no mandato anterior. No Senado, a bancada conta atualmente com 3 representantes: Walter Pinheiro (PT-BA), Magno Malta (PR-ES) e o bispo Marcelo Crivella (PR-RJ).
Se fossem comparadas às bancadas dos partidos, a Evangélica seria a terceira maior do Congresso, atrás apenas das do PT e do PMDB, e empatada com o número de parlamentares do PSDB. A força do grupo, liderado principalmente por religiosos e representantes da Assembleia de Deus, mostrou-se já durante a campanha, quando pautaram, juntamente com os membros da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a questão da legalização do aborto na agenda dos candidatos à presidência.
A atual distribuição dos membros das bancadas por partidos é a seguinte:
A bancada evangélica tem feito o monitoramento de 368 projetos da Câmara e do Senado, a maioria referente a questões de direitos individuais, e agido não de acordo com o programa dos seus partidos, legalmente constituídos e pelos quais foram eleitos, mas sim pelas orientações religiosas a que professam.
O último caso a chamar a atenção foi o Projeto de Lei nº 1.763/2007, que prevê o pagamento de um salário mínimo durante 18 anos para mulheres vítimas de estupro, para que mantenham a gravidez e criem seus filhos. O PL criada pela bancada ainda tem outro ponto bastante polêmico: a ideia de que psicólogos de orientação cristã atendam as mulheres vítimas de estupro, na tentativa de convencê-las sobre a importância da vida e de manter a gravidez. Tudo, obviamente, pago pelo Estado. Porém o próprio Código de Ética dos profissionais de Psicologia veta a indução a “convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual”.
Desde 1940, o artigo 128 do Código Penal permite a prática do aborto em apenas dois casos: se não há outro meio de salvar a vida da gestante (aborto terapêutico), ou se a gravidez resulta de estupro e há consentimento da gestante (aborto sentimental).
A ex-Ministra da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire, disse em entrevista ao Estadão que a proposta “é retrocesso, uma proposta sem cabimento, equivocada desde o começo. Nós apoiamos a liberdade de escolha da mulher”.
Na mesma reportagem, a advogada Samantha Buglione, do Instituto Antígona e das Jornadas Pelo Direito de Decidir, afirma que “Há uma dificuldade em compreender que o Estado democrático surge para assegurar a liberdade de crença da população. Há uma confusão no entendimento de alguns parlamentares entre direito e moral, entre religião e política pública.”

Gráfico por João Victor Moura
Outro ponto fundamental da plataforma da bancada evangélica é a questão relacionada aos direitos da comunidade LGBTT. Vários já foram os ataques da bancada. O primeiro a criar polêmica diz respeito ao Kit anti-homofobia, erroneamente chamado pela bancada de “Kit gay”. O material do Ministério da Educação seria distribuído entre escolas de ensino médio, buscando esclarecer questões a respeito da diversidade sexual e, assim, diminuir os preconceitos dentro das escolas e da sociedade. Os parlamentares da bancada evangélica, no entanto, ameaçaram não votarem mais nada até que o kit fosse recolhido e, se a presidenta Dilma aprovasse o material, iriam convocar o então ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, para prestar depoimento sobre seu rápido enriquecimento. A “chantagem” deu resultado e a presidenta mandou suspender o kit, chamando-o de “inadequado”.
A bancada agiu da mesma forma frente ao Estatuto do Juventude, aprovado na Câmara no dia 05 de outubro. O texto prevê, entre outras coisas, o pagamento de meia-entrada para os estudantes na faixa etária de 15 a 29 anos no transporte público e em eventos artísticos, culturais e de entretenimento em todo o território nacional (As atuais leis sobre a meia-entrada são de âmbitos estaduais e municipais). O ponto atacado pela bancada evangélica, no entanto, foi o que diz respeito ao tratamento de temas relacionados à sexualidade nos conteúdos escolares. O projeto do Estatuto da Juventude só seguiu adiante, para a apreciação do Senado, após a relatora, Manuela D’Ávilla (PCdoB – RS), acrescentar ao texto um adendo dizendo que o tema seria tratado “desde que respeitado a diversidade de valores e crenças”.
Em maio deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou com unanimidade a união homoafetiva estável (para saber mais do julgamento, clique AQUI) e, em outubro, o Supremo Tribunal da Justiça (STJ) aprovou o primeiro casamento homoafetivo, abrindo precedentes para a prática seja adotada em todo o país. A Frente Parlamentar Evangélica (Associação civil de natureza não-governamental, constituída no âmbito do congresso nacional, integrada por deputados federais e senadores da República), na pessoa do seu presidente, o deputado João Campos (PSDB-GO), entrou com um pedido de inclusão na legislação brasileira de um dispositivo que impeça que igrejas sejam obrigadas a celebrar cerimônias de casamento entre homossexuais. Porém, a proposta parece infundada, visto que em nenhum momento a aprovação da união estável e do casamento homoafetivos interfere nas práticas religiosas. Em entrevista ao G1, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) afirmou que “Isso é desespero para confundir a opinião publica, para jogar união publica contra o direito civil. O direito é publico, a fé é privada. Nenhum homossexual quer casar em igreja”.
Estes são apenas alguns exemplos das medidas tomadas pela bancada evangélica na tentativa de vetar alguns direitos individuais, principalmente aqueles relacionados à liberdade sexual. Além disso, ainda se trava no campo político e na sociedade em geral uma batalha referente à aprovação da PLC 122/2006, que prevê o crime de homofobia (saiba mais clicando AQUI), projeto contra o qual a bancada já criou passeatas públicas, alegando que a aprovação vai contra o direito de liberdade religiosa.

Gráfico por João Victor Moura
Os membros do Poder Executivo, vereadores, deputados estaduais ou federais, senadores, juízes de Direito, juízes federais, desembargadores, ministros de tribunal superior e presidente têm a obrigação que exercer suas funções de acordo com os princípios fundantes do Estado; Como a Laicidade é garantida por Constituição, os representantes do poder público deveriam agir em defesa da separação do Estado das Religiões. Porém não é isso que temos observado na prática.
Pensando nisso, a procuradora em Brasília do município de São Paulo, Simone Andréa Barcelos Coutinho, defende uma reforma no código eleitoral que acabe com as bancadas católicas e evangélicas no Congresso Nacional. Para ela, é inconcebível que em um Estado Laico existam partidos que tragam em seu nome a palavra “Cristão”, por exemplo.
(Leia o artigo completo da procuradora Simone Andréa Coutinho clicando AQUI)
A medida pode parecer um tanto drástica, mas se formos analisar as falas dos atuais parlamentares que compõem a bancada evangélica, como o deputado federal Henrique Afonso (PT-AC), que disse: “O Estado deve garantir o que pensa a maioria e acredito que a maioria dos brasileiros acredita no que Deus prega, que é o direito à vida. Não posso separar o deputado do cristão”, notamos o quanto o debate é pertinente e urgente.
A consolidação do Estado Laico – garantido na nossa Constituição, mas como vimos, bastante frágil em sua prática – não é importante apenas para a comunidade LGBTT. Sua consolidação vem favorecer os praticantes de todas as religiões ou de nenhuma delas, que têm dessa forma asseguradas a sua liberdade de crença e de descrença.
Como diz a procuradora Simone Andréa Coutinho:
“O pluralismo, por si só, é incompossível com qualquer forma de união entre o Estado e qualquer religião, pois aquele significa a tolerância e o respeito à multiplicidade de consciências, de crenças, de convicções filosóficas, existenciais, políticas e éticas, em lugar de uma sociedade em que as opções da maioria são impostas a todos, travestidas de “bem comum”, “vontade do povo”, “moral e bons costumes” e outros. (…)
O Estado laico respeita e tolera, pois, a diversidade de crenças de toda sorte. Mais do que isso, atua em obediência necessária ao pluralismo de consciência, de crença, de culto ou de manifesta ausência de sentimento ou prática religiosa. Sobretudo, um Estado laico e pluralista conduz seus negócios, pratica seus atos e define o interesse público com total independência de qualquer religião, grupo ou sentimento religioso, ainda que francamente majoritário. (…)
A Constituição da Republica Federativa do Brasil determina que “ninguém será obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (art. 5º, inc. II). A religião, assim como a tradição, a ninguém obriga.” 
felipesevero@revistaovies.com

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A criação do Planeta Terra

Segundo os Itans (mitos), corpo da tradição oral  que norteia todas as crenças e procedimentos da religião yorubá, Olodumare convocou Obatalá / Orisa nla para elaborar o planeta Terra dentro da dimensão física.

“Durante a caminhada, Obatalá encontrou Exu, que indagou sobre oferendas que deveriam ser feitas para a consecução do trabalho. Obatalá não deu importância ao fato e, sedento, extrapolou no consumo de bebida alcoólica extraída da palmeira. Conseqüentemente, caiu em sono profundo e foi  suplantado por Oduduwa, que, tomando os elementos necessários, saiu para efetuar a tarefa da criação da Terra. O local onde o trabalho teve início denominou-se Ifé (aquilo que é amplo) . Segundo a tradição, daí proveio o nome da cidade sagrada de Ilê Ifé”.

Segundo a tradição de alguns clãs yorubás,  Oduduwa teria sido um herói proveniente de reinos do oriente que atravessou todo o Egito, chegando ao local onde viria a ser fundada a cidade de Ilê Ifé.

Ali encontrou a população local, os Igbo, cujo rei era Obatalá.  Logo encontrou oposição por parte de Oreluere, ancestral guardião, partidário de Obatalá. Esta oposição política à investida de Oduduwa fez nascer a Sociedade Secreta Ogboni, presevadora da justiça e dos ideais implantados ns primeiras instituições da Terra.

Em território yorubá há controvérsia sobre a figura de Oduduwa, visto tanto como divindade masculina, como feminina, associada à antiga tradição das deusas da fertilidade. A controvérsia de mitos disputando entre Obatalá e Oduduwa a criação da Terra revela dois momentos distintos que se complementam  na memória política da civilização yorubá. Por uma lado, o mito da criação do planeta Terra e por outro, a incursão de povos estrangeiros que ali se mesclaram.

Disto resultou que, embora rendam, fìsicamente, tributo à ancestralidade de Oduduwa reconhecem em Obatalá – já intitulado Orisa nla, o Grande Orisa – a divindade regente do planeta Terra.

Outros itans já trazem a seguinte versão sobre a criação da Terra:

“Munido de uma concha com terra, uma galinha e um pombo, Obatalá jogou a terra sobre a imensidão das águas que cobriam o planeta e, em seguida, enviou a galinha e o pombo para espalhar a terra. Tarefa cumprida, Obatalá informou a Olodumare, que enviou agemo, o camaleão, à fim de conferir o trabalho. Da primeira vez, agemo informou que a terra ainda não estava suficientemente seca para a missão pretendida. Na segunda inspeção, comunicou que tudo estava à contento”.

De toda forma, tendo sido privado de cumprir a missão de criar a Terra, tornando-a  habitável  no plano físico - ou complementando a obra da criação - Obatalá convocou Oreluere para trazer e fazer encarnar os seres que já aguardavam no Orun para concretizar a sua existência material.

Fato inconteste é que , por fim, Obatalá recebeu a incumbência de  criar as características físicas dos corpos que deveriam abrigar os habitantes humanos do planeta. Com barro e água, Obatalá confeccionou os corpos, aguardando que Olodumare complementasse com o emi – o sopro da vida que os animaria.

Segundo os mitos, no início Orun e Aiyê eram mundos interligados, até que houve uma ruptura – relatada através de várias versões, que, no entanto mantém a constante de que o humano transgrediu contra o Poder Supremo e uma barreira se levantou entre os dois mundos.

O privilégio desta livre comunicação foi cortado, sendo substituído pelo oráculo, legado por Orunmilá. 


Eliane Haas- pianista, Mestre em Música, Professora universitária. 
Como iniciada, recebeu o nome de Oyagbemi e ocupa o cargo de Iya Egbe no Ilê Egbe Efunlase ati Ifá.
É fundadora e comandante do Céu da Águia Dourada. www.aguiadourada.com
Postado em http://redeafrobrasileira.com.br/forum/topics/a-cosmogonia-yoruba-a

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Axé

Dentro desta tradição, a existência dinâmica se deve à manifestação de uma força que se denomina Axé. Sem Axé não haveria possibilidade de existência e realização, pois dele decorre todo o processo vital, como essência e forma. Tanto as divindades como toda entidade animada estão impregnadas de Axé.

Como força vital, Axé é plantado, cultivado, renovado e compartilhado. Como toda energia no Universo manifestado, Axé é gasto e renovado. Receber Axé significa incorporar as representações matérias e simbólicas que representam os princípios vitais de tudo que tem existência no aiyê como reflexo do orun.

Axé , como força, é neutro, mas detém qualidades e caraterísticas dos elementos que contém e veicula. Axé é a energia contida numa grande variedade de substâncias representativas dos reinos animal, vegetal e mineral, que se propõe movimentar.

Os elementos portadores de axé podem ser agrupados em três categorias, chamadas “sangues” – porque o sangue é o veículo energético por excelência:

Sangue vermelho
Sangue branco
Sangue negro

Todas as cores encontradas na natureza vinculam-se, em última instância, a uma das cores primordiais vermelha ( amarelo, laranja) ou negra (verde, azul, lilás, cinzento). O amarelo é, portanto, uma variedade do vermelho, como o azul e o verde são variações do negro.

O sangue vermelho compreende:
No reino animal – todo tipo de sangue, humano e animal
No reino vegetal – azeite de dendê, ossun (serragem de uma árvore), mel
No reino mineral – cobre, bronze, ouro

O sangue branco compreende:
No reino animal – o plasma do igbin (caracol), o sêmen, a saliva, o hálito, as secreções, o marfim, os ossos
No reino vegetal – a água, o álcool contido nas bebidas brancas, a manteiga de ori (gordura vegetal), o inhame
No reino mineral   - efun (tipo de calcário), sal, prata, chumbo,  conchas

O sangue negro compreende:
No reino animal – as cinzas dos animais
No reino vegetal – a terra, sementes, o sumo das folhas , o waji (pó vegetal)
No reino mineral – o carvão, o ferro, as pedras

Alguns lugares, objetos ou partes do corpo humano podem ser impregnados de axé:  a língua, o coração, as vísceras, os órgãos genitais, os dentes e ossos, assim como também as raízes, árvores, sementes, as pedras e cristais, os rios, o mar, as florestas e o fogo.

A prática da religião yorubá consiste em atuação através da manipulação dos axé branco, vermelho e negro.

Como dogma, baseia-se na fé numa Divindade Absoluta – Olodumare, na crença na existência e na sobrevivência da alma como sopro divino – emi, nas conseqüências das ações humanas – ewo, e na Lei moral ditada pela consciência de cada um, que permeia a vidacotidiana – ifa aya.


Eliane Haas- pianista, Mestre em Música, Professora universitária. 
Como iniciada, recebeu o nome de Oyagbemi e ocupa o cargo de Iya Egbe no Ilê Egbe Efunlase ati Ifá.
É fundadora e comandante do Céu da Águia Dourada. www.aguiadourada.com
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Siré Òrìsà àwon Ìyàgbà

A Cosmogonia Yorubá

Yorubá é um nome reservado aos povos de Oyó, que acabou por cobrir todas as etnias do mesmo tronco, hoje conhecidos como de fala yorubá.

O historiador Frobenius ( Mythologie de l’Atlantide) afirma ter redescoberto na terra dos yorubás ramificações do desaparecido continente da Atlântida. Segundo ele, os atlantes teriam cruzado o oceano infiltrando-se  na África. Já Samuel Johnson (The Story of the Yorubas) situa a origem dos yorubás no Egito Superior ou na Núbia. Estudos atuais sobre oKemet – como é conhecido o Egito antigo, vêm corroborar a teoria de ali situar a origem da religião yorubá.

Seja como for, elementos da prática religiosa yorubá comprovam ser das primeiras  praticadas na Terra e nos teriam sido legados pelos ancestrais instrutores espirituais do planeta.

Dentro da tradição yorubá ,  a estrutura universal é regida por uma Divindade Suprema, Olodumare / Olorun,  origem única e princípio de todos os mundos , que comanda e  zela pela sua evolução. Este Ser permeia todos os reinos da manifestação cósmica, desde as maiores galáxias até os ínfimos espaços inter-atômicos. Descrito como aterekaye  (aquele que cobre o mundo, fazendo todos sentirem a Sua presença) é o detentor do Poder Absoluto e Onipotente. Este conceito de supremacia absoluta e pràticamente  inconcebível de Olodumare já invalida a classificação de politeísta. Aliás, a reverência a Olodumare é tão absoluta que, a Êle não se erguem templos, não se idealiza a  imagem e tampouco se realizam, rotineiramente,  sacrifícios  ritualísticos. Contudo, cada um é livre para dirigir as suas orações e louvores ao Senhor Supremo do Universo.

Segundo a concepção yorubá , todo o processo de existência se desenvolve nos planos físico – o aiyê – e sobrenatural – o orun.

Tudo o que se manifesta no aiyê tem a sua pré-existencia no orun. Tudo o que existe no plano material possui o seu doble no Orun.


Eliane Haas- pianista, Mestre em Música, Professora universitária. 
Como iniciada, recebeu o nome de Oyagbemi e ocupa o cargo de Iya Egbe no Ilê Egbe Efunlase ati Ifá.
É fundadora e comandante do Céu da Águia Dourada. www.aguiadourada.com
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